Cuidando do Seu Jabuti


Alimentação

 
Os jabutis, ao contrário do que muitas pessoas pensam, devem receber uma dieta de alta qualidade e bem diversificada. Quase nunca as pessoas fornecem alimentos adequados e balanceados aos jabutis. Por isso há animais com serias doenças causadas por carências de vitaminas e minerais (Avitaminoses). Para endurecimento do casco deve ser fornecido cálcio em quantidades adequadas (para suplementar o cálcio, deve-se colocar cascas de ovo secas e trituradas por cima dos alimentos oferecidos no mínimo três vezes por semana).
 
Os jabutis são animais onívoros, ou seja, alimentam-se de proteína animal (pequenos vertebrados, minhocas, insetos, etc.) e fibras vegetais (folhagens, verduras e frutas). O alimento deve ser oferecido diariamente e removida assim que apresentem pequenos sinais de decomposição.
Seu animal de estimação deve ser levado freqüentemente ao Médico Veterinário especialista em Pets não Convencionais, para uma avaliação periódica.
Sugestões de dieta para seu animal viver feliz e bem saudável – estes elementos podem ser dados juntos ou alternados em dias da semana:
 
1.Vegetais - 85% da dieta diária:
Folhas de mostarda, de beterraba, agrião, couve, rúcula, salsa, salsão, brócolis, espinafre, repolho, amora, cenoura, pétalas de rosas, hibiscos (tanto pétalas quanto folhas), sementes de feijão branco e feijão verde, ervilhas, lentilhas, milho, e legumes variados, como a cenoura, beterraba, vagens, abóboras, batata doce, etc.
 
 
2. Frutas - 10% da dieta diária:
 
Uvas, abacate, maçãs, pêras, abacaxi, morango, manga, mamão, todos os melões, banana, tomates, figos e melancias, amora, nectarina, etc.
 
 
3. Proteína animal em altas concentrações - menos de 5% da dieta diária:
 
Ração para tartarugas, suplementos à base de camarões e carne crua moída. Pode-se oferecer ração canina seca, sardinha com ossos, camundongos abatidos ou ovos cozidos com casca.
 
OBSERVAÇÕES: Mantenha água limpa à vontade;
 
Alguns alimentos devem ser sempre evitados como a alface e muito mamão, esses alimentos podem favorecer o aparecimento de diarréia;
Os jabutis não devem comer restos de comida humana (arroz, macarrão, feijão) ou cascas de vegetais e frutas estragadas ou apodrecidas. O fato de comerem não indica que apreciem ou que estejam bem de saúde. Estes alimentos são inadequados e causam avitaminoses e debilidade;
A utilização de rações específicas para répteis onívoros é excelente, pois é balanceada, já possui cálcio e vitaminas e dispensa qualquer outro tipo de alimento. Uma vez condicionados a essa ração seu crescimento será bem mais rápido e saudável;
 
Quando jovens podem ser mantidos em pequenos terrários ou caixas de madeira, desde que o seu comprimento seja superior a 10 vezes o tamanho do casco do jabuti, já a largura e a altura devem ter cerca de cinco a sete vezes o tamanho do animal. O substrato (forração) pode ser grama natural, terra batida, carpete para réptil (não utilizar grama artificial), casca de árvore triturada (forração vegetal para manutenção de répteis) ou mesmo jornal (ideal para filhotes).
Há necessidade de espaço para seu jabuti andar, eles vivem em terreno firme onde suas patas se erguem retirando seu plastrão (casco de baixo), totalmente do chão, portanto, se o seu jabuti vive arrastando o casco e tem as patas deitadas será por falta de terreno onde se apoiar com firmeza (talvez sua casa seja de tacos ou piso azulejado o que poderá deformar seu animal, talvez para sempre). Procure fornecer piso adequado para que seu animal não fique defeituoso ou se arraste pelo chão.
 
 
 
Ambiente Ideal
 
 
Os répteis diurnos necessitam de radiação solar direta – se o jabuti não tiver acesso à luz solar, é importante colocá-lo pelo menos 15 minutos ao dia para tomar o sol da manhã ou do fim de tarde – ou artificial que apresente radiação ultravioleta B (UVB), presente em lâmpadas específicas para répteis. A lâmpada deve ser mantida a 30 cm, no máximo, do animal, para que as células basais da pele possam sintetizar o precursor da vitamina D3. O animal terá descalcificação, raquitismo e vida muito curta se não receber esta radiação.
É necessário também uma fonte de aquecimento de fácil acessibilidade. Os mais indicados e práticos são as rochas ou placas aquecidas específicas para manutenção de répteis. Não podem ser mantidos sem fonte de calor, à exceção das localidades onde ocorre naturalmente. Os jabutis brasileiros não hibernam e podem ficar letárgicos e doentes se mantidos em temperatura baixa por vários dias. Este procedimento constitui maus tratos sendo, portanto, passível de punição por lei.
 
Os jabutis maiores (acima de 15 cm) são geralmente mantidos em ambientes externos cercados, como em jardins. Estes devem ter piso de grama ou outro material não abrasivo. Vários abrigos, como tocas de pedra, e ampla vegetação devem fazer parte desse ambiente. Esse espaço deve permitir a incidência de sol pelo menos durante algumas horas do dia. Para se abrigar do frio, principalmente à noite, os animais usarão as tocas. Deve-se ter muito cuidado com lagos e piscinas, porque podem cair e se afogar. Outra coisa importante é para quem tem apenas fêmeas ou casais, as fêmeas precisam de terra propícia para a desova, pois se estas não acharem onde enterrar seus ovos ficarão acumulando ovos no corpo e podem causar um distúrbio reprodutivo e levar a morte.
 Um recipiente raso com água sempre limpa é imprescindível. Mantenha o local onde os jabutis ficam sempre limpos. Para isso, lave diariamente os recipientes de água e comida e retire as fezes pelo menos cinco vezes por semana. Na natureza o encontro de fezes frescas é raro e, em cativeiro, pode ocorrer a coprofagia (comer fezes) por simples encontro e indução de que pode se tratar de alimento.
 
 
 
Doenças mais comuns
 
Se forem mantidos em condições satisfatórias, como as citadas acima, dificilmente
manifestam doenças. Em temperaturas abaixo do ideal podem apresentar pneumonia, manifestada através de secreção nasal e pelo comportamento do animal ficar com a cabeça constantemente elevada. Podem apresentar desprendimento dos escudos córneos da carapaça (deixando exposto o osso) por excesso de umidade que acarreta infecções por fungos e/ou bactérias.
A descalcificação e alteração do formato do casco é comum se mantidos sem iluminação correta. Podem sofrer corrosão do plastrão e conseqüente infecção se mantido em superfícies ásperas.
 
Algumas situações podem ocorrer como o prolápso (eversão) do reto e do pênis 
(em machos) (Foto 1 – Foto Dr. Pedro HACS) ou a retenção de ovos (nas fêmeas). Mas as principais doenças normalmente estão associadas à alimentação inadequada que podem favorecer diarréias (excesso de mamão e alface), avitaminoses por oferecimento de alimentos inadequados (pode ocasionar inchaço do globo ocular e raquitismo) e descalcificação por falta de suplemento de cálcio (casco mole, mioclonia e impossibilidade de deslocamento). Conte sempre com o Médico Veterinário especialista para esclarecer suas dúvidas.
Foto 1: Prolápso de Pênis em Jabuti de 45 Anos de vida.
 
O prolápso peniano é um dos principais problemas que acometem Jabutis quando mantidos em cativeiro e, com frequência, os animais são trazidos ao Médico Veterinário tardiamente com exposição dos tecidos. Nestes casos, a única alternativa é a amputação do pênis. A primeira alternativa a realizar é limpeza do local, reintrodução do pênis e sutura da cloaca. Alguns após pode haver recidiva e o pênis apresentar com necrose e infecção, necessitando uma amputação da região prolapsada. O prolápso peniano, se manejado de forma correta, pode ser resolvido apenas com tratamento clínico. Caso haja recidiva ou lesão permanente do órgão afetado, este deve ser amputado para que não ocorra piora do quadro, podendo levar o animal a óbito. Seu animal deve ser sempre levado ao Médico Veterinário Especialista em répteis.
 
M. V. Pedro Henrique Arosteguy de Carvalho e Siqueira CRMV – DF 1475
 
Medicina de Animais Silvestres e Exóticos
 
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