Neoplasia em animais silvestres e exóticos


 A clínica médica e cirúrgica de animais exóticos e selvagens vem adquirindo crescente importância na prática veterinária moderna e que, constantemente, médicos veterinários especialistas se deparam com diversas etiologias de doenças e tumores, muitas vezes não relatadas na literatura científica, ficando difícil um estudo mais aprofundado sobre o assunto.

 

As causas de neoplasias em animais exóticos e selvagens, assim como ocorre com os animais domésticos, têm causas diversas.

Foto1: Roedor Tumor Dérmico – Foto Pedro HACS

Juntamente com as doenças respiratórias, os tumores são um dos mais comuns problemas de saúde e causa de morte em animais silvestres e exóticos, especialmente nas fêmeas. Existem dois tipos principais de tumores, benignos e malignos. Os tumores benignos são quase sempre encapsulados em uma membrana e separados dos tecidos nas proximidades e, portanto, facilmente removidos por cirurgia.

 

Embora eles possam crescer tão rápido quanto os tumores malignos, eles geralmente não causam tanto dano e não causam metástase (disseminação para outras partes do corpo). Embora os tumores benignos geralmente não causem a morte imediata, um tumor pode crescer tanto, que o animal tem dificuldade para se movimentar e pode dificultar sua alimentação ideal.
 

Em contrapartida, os tumores malignos, também chamados de câncer, geralmente invadem e danificam os tecidos circundantes e causam metástase. A morte será causada pela falência dos órgãos danificados pelo tumor. Na maioria dos casos, o câncer envolve os órgãos internos abdominais e torácicos, e os sintomas muitas vezes não são vistos até que a doença (câncer) esteja bastante avançada, a eutanásia geralmente é a única alternativa para o problema.

Foto 2: Tumor Facial Hamster – Foto Pedro HACS

Os sintomas do câncer podem incluir uma úlcera de pele, tumor externo ulcerado, ou hemorragia de um nódulo, uma distensão do abdômen, perda de peso e letargia. Felizmente, a maioria dos tumores são benignos.

 

Em mamíferos silvestres, tumores mamários podem ter diversos aspectos. Tumores mamários benignos são geralmente nódulos distintos sob a pele que podem ser movidos ligeiramente com os dedos. Em geral estes tumores têm porcentagem de 99% de serem benignos. Os locais mais comuns de tumores mamários estão nas axilas, abdômen e inguinal. Quanto menor o tumor, mais fácil de ser removido. No entanto, todos os tumores apresentam prognóstico cirúrgico. Sempre devemos levar os animais para um Médico Veterinário especialista na área em questão.

 

As causas de câncer em animais silvestres podem ser várias, desde impactos no meio ambiente resultantes da ação humana até mutações genéticas de uma espécie. No caso dos animais silvestres domesticados, a maior aposta é o envelhecimento em cativeiro.

 

O câncer está se disseminando com força entre algumas espécies de animais e, em alguns casos, isso tem relação direta com a presença de produtos químicos criados pelo homem e por alimentação inadequada.

 

Estas são as conclusões de um estudo publicado na revista Nature, destacando também o risco que isto representa para a conservação de algumas espécies em perigo na natureza.

 

O câncer está crescendo entre algumas espécies, as tartarugas e jabutis, cujas populações apresentam tumores faciais, casos de câncer de pele e de carcinomas genitais. Em alguns casos, o avanço do câncer poderia levar à extinção da espécie na natureza.

 

Estudos também indicam que as atividades humanas contribuem de forma direta para o desenvolvimento de tumores em algumas espécies silvestres.

 

Apesar de nem todos os casos de câncer estarem relacionados à presença de produtos químicos, estudos como este continuam alertando sobre os perigos que eles representam para todos os seres vivos e os cuidados que é preciso tomar.

 

Foto 3: Tumor Labial Roedor – Foto Pedro HACS

Os animais não são os únicos que estão sofrendo com o avanço do câncer: a incidência da doença entre humanos vem aumentado de forma crítica nas últimas décadas, e vários estudos já conectaram esta tendência à exposição a produtos químicos.

 

As neoplasias são doenças comumente vistas em algumas espécies de aves também, porém, no Brasil, não existem trabalhos publicados sobre casuística e classificação destes processos nas mesmas.

 

Aves de todas as espécies podem apresentar neoplasias benignas e malignas. Nos psitacídeos (papagaios, calopsitas), elas representam 5% de todas as doenças. Sua ocorrência pode ser em qualquer órgão do corpo.

 

Os principais tumores encontrados nos psitacídeos são os lipomas (tumores de gordura), papilomas, hemangiomas (tumores de vasos).

 

Dos tumores que acometem essas aves, os lipomas são benignos, tem crescimento rápido e como fator predisponente encontramos a obesidade, a idade avançada, alimentações muito energéticas, e também predisposição genética. Eles podem ser únicos ou múltiplos e dependendo da sua localização, é que encontramos o grau de interferência nas atividades da ave.

 

Outra classe de tumor são os papilomas de cloaca que como complicação podem levar a perda acentuada de sangue, desconforto e até impedir a eliminação de fezes nesses animais.

 

Em geral as neoplasias externas são diagnosticadas através do exame clínico e classificadas com exames complementares como o histopatológico. O ultra-som e Raio-X, também são métodos auxiliares para diagnóstico de tumores, e outros exames laboratoriais como hemograma completo e bioquímicos, auxiliam na avaliação do estado geral da ave diante de uma neoplasia benigna ou maligna.

 

De posse do correto diagnóstico, o Médico Veterinário especialista irá avaliar a viabilidade de uma remoção cirúrgica, levando em consideração as dimensões, localização e estado geral da ave. Alguns casos como, por exemplo, os lipomas podem reduzir seu tamanho com melhor balanceamento nutricional e manejo da ave.

 

A expectativa de vida da ave vai depender da localização, classificação benigna ou maligna, e o tempo que se levou para intervir. Quanto mais precoce for a atuação, mais fácil é o tratamento e melhor é o prognóstico de vida dessa ave.

 

M. V. Pedro Henrique Arosteguy de Carvalho e Siqueira
CRMV – DF 1475

Especialista em Pets não Convencionais.
www.pointanimaldf.com.br
pedrohacs@hotmail.com

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